|
|
 |
|
9.
OS LEIGOS
O vocábulo leigo provém do termo
grego laikós, que por sua vez deriva de laós=
povo. Leigo, portanto, dignifica alguém do povo.
Nas nossas paróquias é que temos o espaço
privilegiado de inserção e atuação
dos leigos.
Na igreja antiga houve uma participação consciente
dos leigos. Foi um tempo em que os batizados assumiam a sua
fé com naturalidade e, em geral, davam um testemunho
eficaz da sua condição cristã, principalmente
em meios às perseguições.
A partir do início da Idade Média, com as invasões
bárbaras e o descalabro do império romano do
Ocidente, os tempos tornaram-se difíceis e o retrocesso
foi muito grande. A única instituição
que permaneceu foi a Igreja. Surgiram as ordens religiosas
e os sacerdotes se institucionalizaram, formando o clero.
Diante desse quadro difícil, ocorre a ruralização
da vida, com a grande maioria da população reduzida
à condição de camponeses. Assim sendo,
a estruturação da Igreja levou-a a identificar-se
com o clero. Os leigos ficaram limitados a um papel puramente
passivo. Em meio a uma religiosidade intensa, os religiosos
constituíram o grande exemplo de vida cristã,
pelo seguimento dos conselhos evangélicos, no que era
chamado o estado de perfeição. Nas
ordens religiosas surgem as chamadas ordens terceiras, aglutinando
os leigos para vivenciar o carisma de uma congregação,
como ficou famosa a ordem terceira de São Francisco.
Na Idade Moderna despontam as primeiras associações
religiosas de cunho piedoso, que começam a atrair os
leigos, como por exemplo as Congregações Marianas,
com influência dos jesuítas. Essa tendência
é ampliada na Idade Contemporânea com o aparecimento
dos Irmãos do Santíssimo Sacramento, Apostolado
da Oração, Pia União das Filhas de Maria,
Vicentinos, etc.
Portanto, quando a região norte paranaense passou a
ser desbravada, no início do século XX e a fé
católica foi introduzida e são fundadas as Paróquias,
parte do laicato é cooptada para participar das chamadas
Associações Religiosas.
Ao lado delas são fundados institutos de prestação
de serviços sociais, como é o caso do ILES (Instituto
Londrinense de Ensino para Surdos), fundado em 15 de agosto
de 1959 pelo casal Odésio e Rosalina Franciscon, que
conta até hoje com o auxílio das Irmãs
e Padres da Pequena Missão para Surdos. No início
da década de 60, com a convocação do
Concílio, a participação dos leigos começa
a diminuir nas Associações tradicionais e volta-se
para novas formas de aglutinação. Assim surgem
os movimentos familiares, como o Movimento Familiar Cristão
(MFC), o Encontro de Casais com Cristo (ECC) e as Equipes
de Nossa Senhora. E organizada a Legião de Maria para
um apostolado de visitas domiciliares e ocorre o primeiro
Cursilho de Cristandade em Londrina, de 12 a 15 de novembro
de 1969. O cursilho foi um método moderno de evangelização,
baseado nos retiros inacianos e tornou-se instrumento de conversão
de muitos católicos, que até então viviam
uma religiosidade cultural. Na esteira dos cursilhos, são
organizados o PAF (Paz, Amor e Fraternidade) e o Encontro
de Corações para Casais.
Nos anos 70, com a entrada em vigor do planejamento pastoral
adotado pela CNBB e os Planos de Pastoral Diocesanos, aparecem
as diversas pastorais,
|
|