3. A MUDANÇA PROVOCADA PELO CONCILIO
VATICANO II
Se o desenvolvimento do Paraná e a organização
da Igreja iam a passos lentos até o início
do século XX, começou a dar saltos grandes
desde a criação da diocese de Curitiba. A
mudança maior se deu por ocasião do Concílio
Vaticano II (1961-1965) que, sem afetar o dogma e o essencial
da fé, modificou a fisionomia da Igreja. Diminuiu
a pompa, e a autoridade passou a ser a Igreja de serviço,
comunhão, anunciadora. Todo conceito de Igreja e
de seu relacionamento com os fiéis foi revisto e
adequado aos novos tempos. Da Igreja, dos paramentos e dos
ritos, tirava-se o supérfluo.
Talvez o fato mais significativo destas mudanças
tenha sido quando o Papa Paulo VI, logo após sua
eleição em 1963, tirou a tiara, o tri-regno
que significava seu poder de profeta, sacerdote e rei e
no fundo lembrava o autoritarismo dos Reis e do Sacro Império
Romano. Seu sucessor, o Papa João Paulo I, decidiu
trocar a coroação por uma cerimônia
que ele chamou de Inauguração do Supremo
Pontificado. Mais tarde, o Papa João Paulo
II na homilia de sua eleição disse: O
último Papa a ser coroado foi Paulo VI em 1963, mas
depois da coroação solene, ele nunca mais
usou a tiara e deixou liberdade aos seus sucessores de fazê-lo.
Não é tempo de voltar a uma cerimônia
e a um objeto agora considerados erroneamente, como símbolos
do poder temporário dos Papas. Nosso tempo nos chama,
urge-nos, obriga-nos a olhar o Senhor e mergulhar-nos numa
meditação humilde e devota sobre o mistério
do poder supremo de Cristo mesmo.
Até a publicação da Constituição
Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia,
dia 04 de dezembro de 1963, todo culto da Igreja era em
latim: leituras bíblicas, missas, casamentos, tudo
enfim, sem dar aos fiéis a possibilidade de compreensão.
O padre celebrava a missa de costas para o povo, sem diálogo,
comunicação, enquanto os fiéis se ocupavam
de alguma outra devoção, como o terço
ou outras orações. Os coroinhas se orgulhavam
de saber responder em latim: Et cum spiritu tuo.
De repente, o padre se dirigiu à comunidade na sua
língua, olhando no rosto das pessoas, dialogando
e se comunicando. A assembléia passou a ser ativa,
participante. Os leigos proclamavam as leituras bíblicas
na missa e até mulheres que antes, com véu
na cabeça, não podiam subir os degraus do
presbitério agora faziam leituras. Mais ainda...
Eram ministros e ministras extraordinários da comunhão
eucarística, levavam a hóstia consagrada aos
enfermos nas suas casas e nos hospitais e, em caso de necessidade,
administravam os sacramentos do Batismo e do Matrimônio.
O Concílio Vaticano II deu uma nova vida à
Igreja. O próprio Arcebispo Dom Geraldo Fernandes
tinha certa resistência quanto ao