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Revista
Arquidiocese 50 anos |
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1.
OS PRIMÓRDIOS DA IGREJA CATÓLICA NO PARANÁ
O crescimento e a organização
da Igreja Católica no Brasil foram muito lentos,
sobretudo por causa de seu vasto território, das
dificuldades de comunicação e transporte e
da falta de formação adequada do clero. Com
a proclamação da República (dia 15
de novembro de 1889), começou uma nova fase para
a Igreja, livre de muitas interferências políticas.
Até então, só existiam doze dioceses
no Brasil e um número muito reduzido de clero, sem
o devido estudo e a preparação adequada. O
que predominava era as irmandades e confrarias dirigidas
por leigos piedosos, voltados para a celebração
do culto, devoções aos santos e organização
de festas. A presença de sacerdotes era insuficiente,
bem de acordo com o dito popular: muita reza, pouca
missa; muito santo, pouco padre.
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Desde
1745, quando foi criada a diocese de São Paulo, os moradores
do Estado do Paraná estavam vinculados a ela. Assim foi
até o dia 27 de abril de 1892, quando o Papa Leão
XIII criou a Diocese de Curitiba. O primeiro bispo, Dom José
de Camargo Barros, foi nomeado apenas no dia 6 de janeiro de
1894. Sagrado em Roma, desembarcou em Paranaguá e seguiu
até Curitiba, onde foi recebido por uma multidão.
Tomou posse na Igreja Nossa Senhora da Luz, atual Catedral,
no dia 30 de setembro de 1894.
A superfície da diocese de Curitiba, que abrangia o estado
do Paraná e o de Santa Catarina, era de 295.458 km2,
com uma população de 700.000 habitantes. Existiam
vinte e quatro paróquias no Paraná e trinta e
nove em Santa Catarina, das quais trinta e três estavam
sem padre. Dom José fazia visitas pastorais enfrentando
viagens cansativas, ficando vários dias nas comunidades,
onde experimentava a fé simples do povo, a falta de conhecimento
e a ausência da eucaristia e dos sacramentos. Quando de
sua primeira visita à Santa Catarina ficou sete meses
peregrinando, ausente da sede do bispado. Após dez anos
como bispo de Curitiba, tendo sido extraordinário organizador
e verdadeiro pastor, foi transferido para a sede de São
Paulo. No dia 24 de abril de 1904, iniciou o grande empreendimento
da criação da Arquidiocese Metropolitana. |
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Em 4
de agosto de 1906, Dom José de Camargo Barros acabou
vítima do naufrágio do navio Sírio, na
altura do cabo de Palos, quando retornava de uma viagem à
Roma.
Foi no início do século XX que o Paraná
começou a se organizar e a conhecer as inovações
no campo social e religioso. O Estado tornou-se palco de concentração
de vários grupos étnicos: alemães, italianos,
portugueses, poloneses e ucranianos. Construíram colônias
que contribuíram, efetivamente, para o conjunto de transformações
que se processou na região. Mais tarde vieram os japoneses
e as migrações de mineiros e paulistas. Quase
todos eles cultivavam a fé cristã e, embora com
diferenças significativas de costumes e tradições
religiosas, uniam-se no empenho de construir uma capela ou uma
igreja para vivenciar sua fé. A presença dos imigrantes
europeus provocou uma mudança radical e positiva na sociedade,
bem como na prática religiosa da população.
Consolidaram a Igreja Católica, colaborando para seu
fortalecimento e reestruturação. Simultaneamente,
vieram várias congregações religiosas masculinas
e femininas e a Igreja assim começou a se firmar. |
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