Mensagem do Pe. Zezinho: Amor e colo de mãe
Kant, Proust e Jung, que não eram autores católicos, abordaram em livros como A religião nos limites da simples razão, O homem e seus símbolos e em tratados sobre a miséria humana ressaltando o valor dos símbolos na vida humana. O homem pode até usar mal os símbolos que herdou, mas a verdade é que ninguém vive sem eles, menos ainda, as religiões. Jogar fora um símbolo forte é jogar fora o mistério.
Os dias de Natal valem pelo que se comemora: o nascimento de Jesus. Valem pelo sentido que damos a este nascimento. Valem, ainda, pela maneira como centramos aquelas narrativas dentro do mistério da família e da vida, da comunidade e do cenário político no qual estamos inseridos. É a história de um Menino pobre, de família pobre que, em situação difícil, vão se alistar para que o imperador saiba quantos súditos tem. Lá, em condições de grande pobreza, nasce um menino, que mais tarde morreria na cruz, dando a vida pelo ser humano. É a história da redenção do pobre e do oprimido que vai dizer ao imperador invasor: "Eu existo e lhe darei uma resposta em poucas décadas".
Para lembrar esta verdade, recheada de ternura e luzes, mas também de simbolismos, São Francisco criou os presépios, a Igreja valorizou as imagens do casal e do Menino e os colocou estrategicamente nos lares, nos templos e nas ruas. O advento do marketing moderno criou o mito do bom velhinho. Ao invés do bispo São Nicolau, Santa Klaus, vestido de vermelho que jogava presentes pelas janelas no dia de Natal, apareceu o Papai Noel, Papai Natal, fofo e querido, feições de vovô europeu e cheio de "ho,ho,ho", que desce do treinó de lá do Pólo Norte e traz presentes para as crianças. Até que daria certo se o velhinho dissesse em nome de quem dá os presentes, contasse aos netinhos a história do Menino-Deus e se ajoelhasse diante da manjedoura.
De Joelhos diante do Menino - Mas o Papai Noel raramente fala de Jesus porque açambarcou a festa que agora é dele. O esperado é ele. É o que se vê nas lojas, shoppings e ruas. Até as famílias dos trópicos trocaram as imagens da família unida por árvores de inverno europeu e nem se dão conta disto! Os personagens como Simeão, Ana e os Reis Magos, que procuram o Menino e a luz, não estão mais nos lares. Milhões de famílias não procuram mais os templos e, enquanto abrem os pacotes, nem se toca na história do Menino.
Nós permitimos isto! Mataram os nossos símbolos da família e do Menino, para um pesado marketing fazer valer o símbolo da bondade de um velhinho sorridente. Bastaria que as lojas e os lares de católicos pusessem o velhinho, sacola de lado, de joelhos diante do Menino. Também ele adorando quem veio libertar o ser humano. Perdemos uma chance enorme de dar uma resposta a quem esmagou a memória do Filho que nos foi dado! Conheço duas Paróquias onde isto é feito. Que bom se fossem milhares! Afinal, o que custa simbolicamente fazer o Papai Noel se ajoelhar diante do Pequeno Aniversariante!

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