Mensagem do Pe. Zezinho: Escola e colo
Duas coisas tirariam nossas crianças da marginalidade: mais escolas e mais colo. Ambos faltam para a grande maioria delas. Para um número incontável, falta o colo do pai e da mãe. Para outras, falta a escola, e, quando não falta, é agressiva e impessoal demais para que possam se sentir em casa, afastando-as com a crise dos professores de agora, e com a violência e as drogas que rondam as escolas.
Não é preciso ser psicopedagogo para saber que a ternura sereniza a criança. Nem ter estudado seis anos para concluir que o colo da mãe é ainda uma das melhores escolas. Tomemos 30 milhões de menores que jamais conheceram uma boa escola ou um bom colo de mãe e temos a extensão da catástrofe do Brasil de agora e de amanhã. Alguém vai rir quando escutar o diagnóstico: faltou cultura, na mente e no coração, e isso se recebe na escola e em casa.
O ser humano é feito para o aconchego. Só nele é possível cultivar valores. A família é uma estufa onde seres delicados ganham forma e força para se tornarem almas rijas e corajosas. Mas, se faltar ternura e informação, a criança corre o risco de se fechar para sempre. Cai nas ruas, onde aprende a se defender e não a viver. Quem vive agredido não tem muito tempo para viver de fato.
Milhares de pais, até bem-intencionados, cometem um erro fundamental: param de dar carinho por gestos e palavras porque os filhos começam a agir e pensar diferente de antes. Não sabem administrar o conflito natural com seus filhos adolescentes. Uma das maiores razões da precocidade sexual do adolescente está na falta de carinho dos pais. Falta aqui, buscam lá. Não é sempre assim, mas é o que acontece na maioria das vezes.
Nosso país precisa redescobrir a escola, os pais amigos e os grupos de adultos capazes de ouvir e de se fazerem presentes na vida da pessoa que cresce. Na solidão, o adolescente se machuca demais. E seria muito bom que os pais que se dão bem com os filhos pudessem transbordar essa ternura para outras crianças com lares menos felizes, como os amigos de seus filhos. Clubes de mães, grupos familiares de rua, escolas de pais, escolas de filhos, por exemplo, ajudariam muito o País, que continua não sabendo o que fazer com suas crianças.
O País tem genitores demais e pais de menos: gerar crianças é fácil e tem sido facilitado no Brasil. É só ver o conteúdo dos meios de comunicação social. Educá-las e recuperar a família por causa delas é o que não aconteceu. Por isso continuamos um país em risco permanente. Não há verbas para mais e melhores escolas. A educação vai mal e querem mercantilizá-la ainda mais. Faltam pais e falta colo. Precisamos com urgência de creches-casulos, SOS Criança, orfanatos, escolas com ambiente familiar, casas de família abertas aos menores carentes e, sobretudo, de uma séria educação para a vida familiar.
Em resumo, precisamos de mais escola e mais colo, pois crianças não faltam no Brasil. O que não temos é tempo e ternura para elas. É só olhar nossas ruas. Se sua cidade não tem esse problema, não saia de lá. Você mora no paraíso e não sabe.

Voltar