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Ensinamentos de Dom Orlando: A Família na Revelação Divina |
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| tempo, a ausência freqüente levam a uma debilitação do relacionamento familiar. Urge voltar nosso olhar e coração para a revelação divina para reaprendermos, sob a luz das Escrituras, o evangelho da vida e da família. Três são os enfoques da Bíblia sobre a família: “No princípio” (Mt19,4); “Por causa da dureza do coração” (Mt19,8); “O Casamento no Senhor (ICor7,39) é grande mistério” (Ef5,32). “No princípio” é uma expressão bíblica que significa: no plano amoroso do Criador, no pensamento original de Deus, no olhar de Deus, a família tem o destino de ser uma comunidade a exemplo da comunidade divina. “Comunidade de vida e de amor”, santuário de vida, laboratório do amor, berço e guardiã da vida, escola de valores. Deus disse: “façamos o homem e a mulher à nossa imagem e semelhança” (Gn1,18). A família é lugar de comunicação, intimidade, confidência. “O Senhor Deus tirou a mulher da costela do homem” (Gn1,21). A costela está do lado, bem perto do coração. Homem e mulher é para estarem lado a lado, como companheiros, fazendo da família uma “aliança de pessoas”. O homem olhando para a mulher a define com estas palavras: “Osso de meus ossos, carne da minha carne” (Gn1,23). Eis a definição da igualdade de dignidade. Homem e mulher são consubstanciais, iguais em dignidade. Machismo e feminismo são coordenadas culturais. “Deixarás pai e mãe, te unirás à tua mulher, e serás com ela uma só carne” (Gn1,24). Ser uma só carne, uma só alma, um só coração, um só espírito é a vocação da família. Ser uma comunhão de pessoas e de destinos, comunidade esponsal onde acontece a doação de si e o acolhimento do outro. A família é o primeiro lugar onde uma pessoa se confia à outra mediante a entrega genuína, onde um deposita fé no outro e se transformam em cônjuges. A família é para conjugar com o outro, um carregar o jugo do outro. Amar é dizer não quero que morras, quero que tu sejas. Este plano divino foi ferido “pela dureza do coração” (Mt19,8). Hoje a dureza de coração se expressa no consumismo, liberdade exacerbada, decadência moral, divórcio, infidelidade. Uma sociedade doentia gera família doentia. Não basta o bem-estar material. A família deve ser lugar de aconchego, afago, elogio, presença. Não basta a satisfação carnal. O mundo está num cio insaciável e não respeita a dimensão espiritual. A dureza de coração se manifesta nos abortos, fetos descartáveis, idosos excluídos, filhos abandonados, esposos traídos. Jesus, o novo Adão, reabilitou a família, redimiu o amor, fez do casamento um sacramento, um lugar de santificação e de salvação. Os que se “casam no Senhor” (ICor7,39) abrem-se ao diálogo, ao perdão, à oração e ao afeto conjugal e familiar. Fazem do fogão, da vassoura, do volante, do bisturi, do computador altares de santificação porque são sacerdotes do lar. Alcançam no cotidiano a salvação pessoal e a sorte eterna uns dos outros. Bem afirmou o Vaticano: “A salvação da pessoa e da sociedade humana está estreitamente ligada ao bem-estar da comunidade conjugal e familiar”. O futuro do mundo passa pela família. |
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