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Mensagem do Pe. Zezinho: O púlpito e os holofotes |
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| que a sabedoria daquilo que ele diz. Foi assim com Simão, o Mago, com os filhos de Ceva e com profetas estranhos como Ezequiel que imitaram os verdadeiros pregadores e até ofereceram dinheiro para parecer à custa da religião. Ezequiel chegou a andar pelas ruas fazendo horríveis caretas e foi ao extremo de comer excremento para chamar a atenção para a sua mensagem. Foi assim com o profeta que se juntou a uma prostituta para chamar a atenção de Israel que se prostituía. Nos dias de holofotes e câmeras não tem sido poucos os que se deitam ao chão e até rolam para chamar atenção para a sua pregação, os que expõem seus rostos em tamanho gigante em paredes para serem admirados ainda vivos, os que dramaticamente derrubam os fiéis em transe para libertá-los do demônio que eles proclamam que está no fiel; os que dançam diante do altar, os que jogam baldes de água no povo criando novas e úmidas liturgias, os que conversam e dialogam com o demônio em microfones, os que expulsam do país o demônio da dengue com os seus mosquitos, os que anunciam curas espetaculares que ninguém comprova em laboratório, os que ressuscitam mortos em quem só eles podem tocar naquela hora. Em todos os casos há sempre mil argumentos a favor. Mas, na verdade, há sempre um pregador chamando a atenção sobre si e brilhando mais do que o altar, mais do que o livro, mais do que seu povo. Não sem razão João Paulo II e Bento XVI, Papas da era eletrônica e do tempo das câmeras, disseram em Ecclesia de Eucharistia e em Sacramentum Charitatis que a missa não é do padre, vale dizer: não é do pregador. Souberam que, na era do individualismo acentuado, em vastas regiões do mundo há sacerdotes chamando a atenção para si, a fim de atrair aos fiéis com sua mensagem. De fato tem havido sacerdotes que tocam sanfona saudando Jesus depois da Consagração, que tocam violão no meio da pregação, que pulam e dançam, aspergem o povo não com hissope, mas com vassouras, esguichando água sobre os fiéis com mangueiras, dão saltos e fazem cabriolas, contam piadas engraçadíssimas, celebram missas com o seu enorme rosto no fundo do átrio. Tudo isso pode ser explicado como motivação. Pode até haver lugar para algumas danças e movimentos simbólicos. Mas ao pregador e presidente não é permitido chamar dessa maneira a atenção sobre si. Ele é presidente da assembléia, mas não é nem o ator principal, nem a razão da presença do povo naquele templo. Não é e não pode ser. Por isso, missa do Padre Jacó, do Padre Pedro, do Padre Chicão não existe. As câmeras precisam discretamente mostrar a assembléia e os atos litúrgicos, mais do que o padre em evidência. As recomendações, os diretórios, os pronunciamentos, as encíclicas parecem não chegar a estes pregadores sequiosos por holofotes que não distinguem entre a seriedade serena da liturgia eucarística e as brincadeiras do palco lá fora. Quando a missa vira espetáculo, alguma coisa está errada com o presidente da assembléia que permite esta fuga do contexto. Câmeras demais no padre são desvios. Do que maneja a câmera, do que faz o corte e do padre que permite que seu rosto ocupe 70 a 80 % da liturgia. Quem os convencerá? Quem lhes mostrará que se pode ser simpático e amigo numa celebração sem perder a compostura e a serenidade que se exige daquele momento em que todos se preparam para um encontro pessoal e comunitário com o Cristo no altar? O que dizer do padre que rouba aquela cena? O púlpito naturalmente faz o pregador aparecer. Também os holofotes forçosamente apontarão para ele. Cabe ao pregador decidir que se quer isso o tempo todo ou se quer que a assembléia apareça. Sendo ele o presidente, basta que determine que assim será. Se aceitas que exponham sua foto e seu banner atrás do altar como se fosse um santo canonizado, se aceita ser destaque ou desfilar como madrinha da bateria então arque com as conseqüências. Pregador tem hora e lugar. No tempo de mídia poderosa, do poderoso e inadiável projeto pessoal, do individualismo acentuado, do coletivo submetido ao pessoal, todo cuidado é pouco. O verbo ser pode perder espaço para o verbo aparecer. O que há de mal nisso? Todos temos o direito de aparecer, mas não demais. Luz demais cega o pregador. Imagem demais oculta o conteúdo! |
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