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Mensagem
do Pe. Zezinho: Crianças perigosas
O Brasil é um país medroso. E um dos seus maiores medos
é as crianças. Políticos, juízes, religiosos,
o povo em geral agem como se elas fosse o problema principal do País.
E não são. O problema número um são os adultos
que as abandonaram e os que não sabem o que fazer por elas. As
crianças poderiam ser a prioridade numero um. Mas nem isso elas
são.
Assim, temos mais de 30 milhões de crianças pobres ou carentes
do essencial. E mais de 1 milhão delas está na rua ou são
de rua. Na rua, enquanto os pais vão trabalhar. De rua são
as que vivem sem lar. Há ainda o menor pobre que trabalha e leva
dinheiro para casa e o que assalta, mata e não tem nem família.
Existem os auxiliados por grupos religiosos, enquanto que outros são
assistidos pelo Estado, que às vezes não tem funcionários
suficientes para cuidar das crianças na instituição.
E para agravar a situação, a lei dificulta enormemente a
adoção e desanima adultos sérios que realmente querem
filhos adotivos. Mas, por outro lado, patrioticamente defende o direito
de a criança continuar brasileira, de maneira honesta. Mas há
os adultos que proíbem nossas crianças de ter uma família
na Europa e gloriosamente lhe concedem o privilégio de ficar aqui
morrendo de fome, mas documentadas como brasileiras. Outros ganham dinheiro
com a venda de bebês. E há ainda os adultos abandonadores,
os que lucram com o comércio ilegal de filhos adotivos e os que
não sabem o que fazer com as crianças.
Existem, também, pessoas que matam ou mandam matar menores infratores
classificados como irrecuperáveis. Outras os drogam. Certos adultos
deixam as crianças à mercê de programas irresponsáveis
de televisão. Ou as deixam na rua. Ou as jogam de casa em casa.
Não há creches nem hospitais suficientes. E embora existam
lares suficientes, não se adotam crianças na mesma proporção
com que se abandonam. Além disso, muitos casais têm mais
filhos do que podem educar, enquanto outros são impedidos de adotar
os filhos que gostariam, pela lentidão do processo. E mais: há
torturas, espancamentos, desvios violência e mais violência.
Não há praças nem quadras de esporte suficientes.
Nem quintais. E não se pensa nas crianças quando se constroem
escolas apertadíssimas e prédios enormes. Nem pensam nelas
os donos de imobiliárias e loteamentos. O menor foi abandonado
no Brasil. Nos últimos 40 anos, o País "fabricou"
, no mínimo, 80 milhões de crianças. Mas não
pensou no futuro delas. Tudo foi feito na intenção de ganhar
dinheiro rápido e fácil. Agora, elas começam a incomodar.
Enchem as ruas dos bairros de periferia e dos centros das metrópoles,
atrapalhando a passagem. É o preço que o País paga
agora, e vai pagar cada dia mais caro por ter se esquecido de que as crianças
ficam adolescentes e crescem.
O Brasil tem medo das crianças que gerou. Soube fazê-las,
mas não tem sabido o que fazer por elas. Continuamos o país
que não planeja e não se corrige.
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