Mensagem do Pe. Zezinho: Aquele grito de perdão
Foi dor e foi amor. Aquela hora na cruz traduziu a dimensão libertadora da pregação de Jesus. Outra vez entregou-se ao Pai, outra vez ofereceu Sua vida em favor da humanidade e outra vez pensou nos outros. Alguns homens O estavam matando. A mando deles, fora barbaramente torturado; Seu sangue escorria a mercê do ódio daqueles religiosos cheios de fúria e, enquanto morria, lembrou-Se de orar pelos que O matavam: "Perdoa-os, Pai. Eles não sabem o que estão fazendo!". Era com se dissesse: "Faltou catequese para eles!".
Mas foi o mesmo Jesus quem ensinou, ao longo dos 30 meses de sua pregação e durante os mistérios luminosos de Sua vida, que era preciso perdoar não só os amigos, mas também aos que nos ferem e nos odeiam (cf. Mt 5,44). Pediu que os espíritos se desarmassem (cf. Jo 18,10-11). Disse que deveríamos oferecer a outra face, caso alguém nos batesse no rosto (cf. Mt 5,39). Lembrou que era fácil amar os amigos, mas que depois dele a lei era outra: Que amássemos os inimigos para sermos dignos do nome de filhos do mesmo Pai, que faz chover sobre os bons e os maus, faz o sol brilhar sobre os justos e os injustos (cf. Mt 5,45).
Pouco antes de sua morte, quando Pedro, para defendê-lo, lançou mão da espada e feriu Malco, um dos agressores, Jesus o curou e mandou que Pedro guardasse aquela espada na bainha, lembrando que os que recorrem è espada morrem pela espada (Mt 26,51-52). Um claro recado aos que andam armados e não hesitam em matar, aos que usam de chantagem, caluniam, ferem e destroem os outros para conseguir seus objetivos.
Foi Ele também quem disse que "com a mesma medida com que medíssemos os outros seríamos medidos" por Deus (Mt 7,2). No Pai-nosso deixou mais do que óbvio que devemos orar pedindo perdão, com a promessa de também perdoar (cf. Mc 11,25). 'Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido".
Aquele grito de quem perdoava e pedia a salvação dos seus algozes mostrou um ponto essencial da fé cristã. Cristão que é cristão perdoa! Não se pode viver apenas de louvar. Perdoar faz parte do projeto. De tal forma Jesus é radical na sua exigência que, em Mateus 5,23, manda que os seus fiéis deixem a oferta ao pé do altar e busquem primeiro perdoar e dar perdão. Só depois podem falar bonito e louvar.
É muito difícil perdoar. Há pessoas que morrem sem o conseguir, porque seu coração não se dilata nem se abre. Vivem mais em sístole do que em diástole e morrem de enfarto, não do miocárdio, mas do sentimento bloqueado. Não se imaginam ir embora deste mundo sem ter dado o troco a quem os feriu. Por mais que o outro tenha reparado o seu erro, eles não perdoam. Deus, sim, mas eles não! Não admitem que Deus perdoe ou corrija quem os ofendeu. Então assumem o lugar de promotores, juizes e algozes.
Como sempre, Jesus estava certo! Não há felicidade nem paz sem perdão pedido, aceito e oferecido! Quem não pede ou não o dá corre o risco de morrer no seu pecado! Pior: de morrer do seu pecado!


 


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